Desde a mais tenra idade fui apresentada aos
livros. A timidez me jogou direto nos braços da boa leitura, mas conseguir bons
livros nunca foi fácil.
Por outro lado isso proporcionou minha formação
eclética. Leio de tudo! No início era mais fácil obter emprestados os livros da
famosa “coleção vaga-lume”, depois os romances Júlia, Sabrina e Bianca.
Passeei pela autoajuda, pelos religiosos, fantásticos
etc. Best-Sellers era raridade, Porém as bibliotecas escolares e depois as
públicas municipais das cidades onde morei forneceram bastantes combustíveis
para meu fogo literário.
Enfim, acordei um dia com minha casa de pernas para
o ar, com três crianças pequenas e uma ideia pronta e resolvida na cabeça.
Quase enlouqueci, pois sem tempo e oportunidade para passar para o papel a
ideia persistia e com o tempo só aumentava.
Levando-se em conta que isso já tem uns vinte anos,
dá para imaginar que não existiam essas modernidades de hoje, eu não tinha
sequer uma máquina de escrever, muito menos um computador.
Consegui aos trancos e barrancos colocar a coisa
toda no papel, escrevendo tudo à mão quando minha querida vizinha me emprestou
sua máquina de escrever ‘Olivetti’ portátil.
Até que eu datilografava bem, mas demorou uma
eternidade para conseguir passar todo o texto para o manuscrito datilografado.
E com tantos erros... Máquina de escrever não tem a tecla ‘delete’, que era até
difícil a compreensão.
A leitura me ajudou na passagem pela adolescência,
mas o teatro amador foi minha salvação. Atuar e escrever textos para as peças
foi meu primeiro aprendizado na área da escrita. E é o que me conceitua hoje
nos meus textos.
Sofrer todo mundo sofre e ninguém passa pela vida
imune às dores do mundo, a diferença está na forma como cada um reage aos
acontecimentos. Um casamento ruim, filhos pequenos para cuidar, diversidades do
dia a dia para superar e a vontade de ser escritora foi se esvaindo de mim.
A história continuou lá, mas minha vida se
modificou sempre e muito. Foram precisos muitos anos de aperfeiçoamentos,
alegrias, tristezas, conformismo e reviravoltas para que eu resgatasse a
“história”.

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