sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Desde a mais tenra idade fui apresentada aos livros. A timidez me jogou direto nos braços da boa leitura, mas conseguir bons livros nunca foi fácil.
Por outro lado isso proporcionou minha formação eclética. Leio de tudo! No início era mais fácil obter emprestados os livros da famosa “coleção vaga-lume”, depois os romances Júlia, Sabrina e Bianca.
Passeei pela autoajuda, pelos religiosos, fantásticos etc. Best-Sellers era raridade, Porém as bibliotecas escolares e depois as públicas municipais das cidades onde morei forneceram bastantes combustíveis para meu fogo literário.
Enfim, acordei um dia com minha casa de pernas para o ar, com três crianças pequenas e uma ideia pronta e resolvida na cabeça. Quase enlouqueci, pois sem tempo e oportunidade para passar para o papel a ideia persistia e com o tempo só aumentava.
Levando-se em conta que isso já tem uns vinte anos, dá para imaginar que não existiam essas modernidades de hoje, eu não tinha sequer uma máquina de escrever, muito menos um computador. 

Consegui aos trancos e barrancos colocar a coisa toda no papel, escrevendo tudo à mão quando minha querida vizinha me emprestou sua máquina de escrever ‘Olivetti’ portátil.

Até que eu datilografava bem, mas demorou uma eternidade para conseguir passar todo o texto para o manuscrito datilografado. E com tantos erros... Máquina de escrever não tem a tecla ‘delete’, que era até difícil a compreensão.
A leitura me ajudou na passagem pela adolescência, mas o teatro amador foi minha salvação. Atuar e escrever textos para as peças foi meu primeiro aprendizado na área da escrita. E é o que me conceitua hoje nos meus textos.
Sofrer todo mundo sofre e ninguém passa pela vida imune às dores do mundo, a diferença está na forma como cada um reage aos acontecimentos. Um casamento ruim, filhos pequenos para cuidar, diversidades do dia a dia para superar e a vontade de ser escritora foi se esvaindo de mim.
A história continuou lá, mas minha vida se modificou sempre e muito. Foram precisos muitos anos de aperfeiçoamentos, alegrias, tristezas, conformismo e reviravoltas para que eu resgatasse a “história”.



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