segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Vou te contar um  Segredo, favor não espalhar...


Toda família tem seus segredos. 
Alguns podem transformar e outros até destruí-las.
Uma jovem recatada, que passou grande parte da adolescência em colégio de freiras, coisa comum naquele tempo.
Após o término dos estudos, ela volta para casa. Despreparada para o convívio social e se sentindo excluída da vida dos pais e irmãos, fecha-se no mutismo e na solidão do quartinho dos fundos que lhe foi destinado.
Sempre observando os irmãos de soslaio percebe o quanto cresceram e se transformaram em homens feitos no tempo em que passou fora.
O pai já não consegue mais controlar os filhos. As bebedeiras e saídas noturnos se tornaram uma constante.
A moça sempre quieta em seu canto não consegue transpor a barreira erguida com a distância. Nem mesmo com a mãe, que está sempre a evitá-la e dispensa sua ajuda na cozinha e na arrumação da casa.
Enquanto pinta e borda lindos panos de pratos, toalhas e lençóis ela continua observando de longe a rotina de embriaguez dos ‘meninos’.
Certa noite, não conseguindo dormir por conta do insuportável calor no minúsculo quarto ela resolve matar a sede na cozinha justo no momento que um dos irmãos chega totalmente embriagado.
Mal se falam no dia a dia, é possível que a moça nem saiba de qual dos irmãos se trata, mas decide ajudá-lo.
A boa vontade é retribuída. O marmanjo deixa todo seu peso por conta dos fracos braços femininos.
A coisa toda não funciona bem, pois a coitada não dá conta da empreitada e acabam caindo, os dois, no chão do corredor.
A moça debaixo do irmão tenta se desvencilhar. Ele solta um gemido rouco. Ela sente sua ereção no momento em o bêbado afasta sua camisola, deixando seus seios à mostra.
Diante de sua incredulidade, que inerte se deixa abusar, o jovem que no vigor de seus vinte e poucos anos cheios de testosterona usa e abusa das mãos e da boca trazendo sensações únicas, nunca imaginadas no corpo esguio e virgem da moça.
Ele termina. Ela arfante e trêmula mal sabe o que aconteceu.
Só então, percebe a mãe se benzendo e tirando o rapaz de cima dela.
Nunca se tocou nesse assunto.
A gravidez da moça desde sempre foi tabu para a família.
Aconteceu naturalmente o nascimento e a criação da criança.
Mais de cinquenta anos se passaram e ela ainda vive no quartinho dos fundos. Já casou o filho e enterrou o irmão e provavelmente vive e morre a cada lembrança daquela noite, a cada lembrança desse segredo guardado a sete chaves.