quarta-feira, 31 de janeiro de 2018




Quando escrevo não me sinto melhor nem pior que ninguém. Mas deixo de me sentir uma escória da vida.
Não me sinto ocupando espaço demais, apenas preenchendo as lacunas dessa vida.
Quando fui mãe encontrei meu lugar no mundo.
Quando me tornei escritora me reencontrei, me renovei.
Não me sinto pior nem melhor. Não me vejo nas alturas, mas saio do chão.
Sinto-me viva.
E o maior privilégio do ser humano é encontrar sua vocação, aquilo que o faz sentir-se vivo.
Quando me perguntam o que eu escrevo tenho ímpetos de responder: escrevo a verdade... Mas o que é a verdade?
Talvez a minha, não seja a sua.
Então respondo dentro da nossa verdade: escrevo para viver, escrevo para você.


sábado, 20 de janeiro de 2018

Presente inesperado


Vida seca, amargurada. Situação financeira difícil. Porém quando nos imaginamos tão frustrados e sem rumo aparece alguém em situação pior.
Essa minha amiga tem um desse raro tipo de casamento bom e tranquilo. O marido trabalhador, amigo e gentil ajuda com as tarefas de casa e tal.
A vida sexual é razoável, em comparação às reclamações alheias diríamos até que ela estava no lucro.
As festas de fim ano da família sempre eram comemoradas em um sítio previamente alugado. Nessa época todos da família se encontravam, dos mais próximos aos mais distantes e os momentos a sós com o marido eram quase nulos.
Estavam estremecidos por causa de uma bobagem qualquer do dia a dia que ela já nem lembrava mais. Então mediante o clima festivo ela sentiu necessidade de uma reconciliação.
O marido era simpático e querido por todos. Ajudava os mais velhos, cuidava das crianças e atendia aos parentes sempre que solicitado.
Os elogios e agradecimentos geravam na esposa um orgulho danado. Daí a vontade de se reconciliar, beijar e amar aquele ser tão especial.
O quarto que dividiam ficava na parte de baixo do sítio, num lugar mais afastado. Entretanto era pequeno e escuro por isso mesmo sempre sobrava para o casal mais legal que não se importavam de ficar por lá.
Em casa, acostumada com a presença das crianças sempre por perto, os momentos íntimos eram partilhado com certo silêncio e cuidado para evitar perguntas desconcertantes dos meninos inteligentes e sabichões.
Avisada de que o marido provavelmente havia ido fazer umas das crianças tirar a soneca de costume ela rumou para o quarto.
Na penumbra, logo de cara ela avista o corpo do homem, aparentemente dormindo ao lado da criança encostada à parede.
Aproxima-se com cuidado, evitando qualquer barulho que pudesse acordar acordá-la e deita próxima ao peito másculo.
Ele murmura algo ao qual ela não presta atenção, já que esta se ocupando em apalpá-lo e fazer às pazes da melhor forma possível.
Qual o casal que não aproveita essas reconciliações para ter os melhores momentos sexuais da relação?
E o marido estava se superando dessa vez. Usando a boca, as mãos e claro, tudo o mais que estava ao seu alcance. Era difícil não soltar gemidos fortes ou mesmo gritos extasiados.
Mas respeitando um dos filhos que ali jazia adormecido, ela simplesmente aproveitou em silêncio e retribuiu da melhor forma possível.
Terminou sem fôlego e depois de um beijo longo e apaixonado suspirou:
-Obrigada querido, eu estava mesmo precisando disso!
Levantou-se e saiu do quarto escuro arrumando as roupas e protegendo os olhos da claridade do sol.
Com um sorriso radiante chega próximo à piscina e encontra o marido com uma criança cochilando nos ombros que lhe pergunta curioso:
-Esteve me procurando querida?
Os olhos arregalados e o rosto ruborizado foram a única resposta que ela pôde dá-lo naquele momento.
Acredito que até hoje ela não teve a coragem de procurar descobrir quem foi o parente que lhe deu o melhor presente daquele ano. Mas enfim, como eu dizia antes, a gente acha que tem a vida seca, amargurada, dificuldades financeiras...








segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A vida na favela não é fácil

Muitos criticam uma pessoa por arrumar um dinheiro e sair desse lugar. Mas não é moleza morar por aqui. Sempre tive receio de criar meus filhos em um ambiente sempre sobtensão. Conheço casos em que a mulher sozinha (separada ou viúva) se vê obrigada a deixar tudo pra trás porque os filhos são convocados a servirem de ‘aviãozinho’ para os traficantes.
E todos sabem o que acontece depois. O dinheiro fácil chama a atenção, entretanto o futuro só dá duas opções: cadeia ou cemitério.
Então largar o pouco que se tem que acumulou durante a vida inteira e se mudar, provavelmente para outra favela é simplesmente questão de sobrevivência.
Então vem os acusadores dizer que é preciso é preciso lutar contra o sistema, contra essa situação e blablablá...
Lutar contra quem? Contra o quê?
Isso tudo leva tempo, discernimento e uma boa base para  um discurso capaz de revolucionar o mundo inteiro ou pelo menos nosso pequeno mundo.
Às vezes é mais fácil fugir, buscar refúgio na embaixada de algum país ou simplesmente mudar para uma rua mais tranquila de um bairro próximo...