quinta-feira, 19 de outubro de 2017


 Amante ao avesso
Mais uma vez a insistência feminina em colocar nos ombros de um homem o peso da felicidade proporciona uma história real, porém fantasiosa de felicidade.
Quando conheci I ela me pareceu uma mulher alegre e corajosa e me surpreendi ao saber que ela era amante de um homem casado há mais de dez anos.
Com ele tinha três filhos, dois viviam em sua companhia e o menino mais velho era criado pela mulher (oficial) do tal homem.
Diante da imagem que a sociedade em geral faz do papel de amante logo se imagina uma esposa sofrida e mal tratada diante de um vilão garanhão dando do bom e do melhor para a outra.
Daí o motivo da surpresa. Essa amante em questão não tinha NADA.
Não tinha casa própria, vivia mudando de barraco em barraco quase sempre em péssimas condições e arrastando os filhos para situações humilhantes diante da família e vizinhos com comentários maldosos e preconceituosos diante de sua condição.
Sua situação financeira era caótica. Em contra partida a esposa do sujeito vivia em uma ótima casa rodeada de conforto, chamego e apoio familiar.
I não aceitava argumentos contrários à sua situação. Aceitava sim e muito bem essa estranha e obsessiva forma de amar.
No entanto, não posso afirmar que nunca tenha se rebelado e tentado sair dessa vida. Mas um único comentário do ser amado fez desmoronar toda a nova ânsia de mudança trabalhada por vários conselhos de amigas indignadas com sua situação.
O homem teve o desplante de avisá-la:
“Não sou homem de uma mulher só, se não for você arrumo outra!”
Para I não havia justificativa para uma vida nova para si e os filhos, uma vez que o amado não mudaria também os seus hábitos.
E se para a esposa estava tudo bem, para ela também.
E pelo que eu soube, assim permanece até hoje nessa condição de ‘pobre amante pobre’.