quarta-feira, 1 de março de 2017

S de sonhos


E teve uma vez que conheci certa mulher. Normal. O mundo está cheio delas.
A maioria delas sonhadoras e capazes de tudo para encontrar a tão sonhada felicidade.
É notório também que muitas acreditam que nas suas vidas precisam de um homem que satisfaça não só suas vidas sexuais, mas também e principalmente a vida afetiva.
E foi num desses rompantes que S abandonou tudo. Emprego, filhos e estabilidade financeira para ir atrás de um homem.
Lógico que nessa situação a vida que se está levando não é satisfatória e o marido é tão cheio de defeitos que só a companhia de um suposto ser especial e mágico é capaz de trazer o sossego, a paz e o amor que tanto sonhamos.
Na opinião de S, os filhos não sofreriam tanto, uma vez que estavam encaminhados na vida e ficariam com o pai e para essa mulher o importante mesmo é viver o momento.
O tal homem ofereceu mundos e fundos e por certo tempo funcionou.
Vivendo em outro estado, com tantos novos afazeres o contado com os filhos foi se esvaindo. Até que um dia não existia mais.
E justo nessa época a saudade apertou. Foram muitas as tentativas de reconciliação, mas não havia mais espaço ou interesse deles na vida da mãe ausente.
Diante disso e do fracasso amoroso, anos depois o amor da mulher se voltou para a filha adotiva. Essa menina foi o fruto de um relacionamento extraconjugal do atual companheiro.
Amor de mãe, ainda que de coração, é incondicional. Que nesse caso também foi transferido para os netos em forma de amor, carinho e dedicação.
Um novo amor provocou uma nova separação e novo abandono de lar.
Sexo é primordial para S. Ela sofre em se tornar amante, mas aceita a condição. Tudo seguia razoavelmente bem até que um cruel golpe do destino trouxe para S uma doença horrível que inunda o organismo e destrói a esperança.
Os anos de vida, bem vividos ou não, agora não importam mais. Só importa lutar por ela.
Mas o tempo está acabando e com ele a esperança de recuperar o amor dos filhos um dia abandonados pelo capricho de um sonho de amor. E a indiferença dói mais que a dor física causada pela doença.
Para Deus nada é impossível, o gênio indomável se vê obrigado a se dobrar diante do destino.
A esperança renasce a cada dia. Esperança de perdão e esperança de vida, pois enquanto existir o sopro de um sonho, existirá um sopro de esperança.  


Não sou lerda não, quero mais que o mar pegue fogo para eu comer peixe frito!

Já cansei de ser chamada de “lerda”. Tempos atrás quase incorporei esse adjetivo ao meu sobrenome.
Mas não dá mais para suportar pessoas sem noção, sem amor ao próximo ou sem compromisso com a vida e a família.
Constantemente confundem as pessoas legais, tranquilas e de bem com a vida com gente “lerda”. Insistem nesse termo pejorativo se a pessoa em questão não fala ou gosta de ouvir palavrão, se não quer tirar proveito de ninguém ou não é adepto às fofocas.
Cuidar dos filhos fazendo todo e qualquer tipo de trabalho honesto ao invés de correr atrás de programas de governo, ir contra preconceitos estudando e fazendo faculdade após os quarenta, terminar o que começa sem esperar que outros abram caminhos pode e deve ser visto como qualidades.
Supostos “espertos” por aí costumam confundir pessoas ‘boas’ com pessoas ‘bobas’. Bondade, seriedade, amizade e tranquilidade não são sinônimos de lerdeza.