O lateral sumiu
A preparação para o especial que ia levar o time do River Plate para jogar como visitante na cidade de Jaboticatubas estava a todo vapor.
Seriam três quadros que começaria com o time principal, composto de jovens e veteranos que são até bem conceituados no meio do futebol de várzea.
No segundo jogo somente os veteranos, no terceiro os jovens com direito a ajuda dos veteranos, caso o jogo estivesse muito difícil.
Dois ônibus lotados levando jogadores e familiares cheios de sacolas de roupas, equipamentos esportivos e principalmente comida, muita comida.
E claro não podemos esquecer-nos das esposas nervosas e irritadas com maridos omissos que só se preocupavam com o time e das crianças chorosas e loucas para descer logo do ônibus e correr para todos os lados.
E a diversão começou assim que descemos na cidade do evento com um povo acolhedor e alegre. O campo era pequeno, porém bem cuidado e fomos muito bem recebidos.
A cidade de Jaboticatubas na região metropolitana de Belo Horizonte é muito bonita com uma grande praça no centro da cidade onde mulheres e crianças passaram grande parte do dia.
Os homens, claro não arredaram pé da beira do campo, mesmo os que não estavam escalados para o jogo, pois não queriam perder nem um lance.
O time do Rivers se surpreendeu com os donos da casa que estavam dando um trabalho danado para os visitantes.
No primeiro jogo ficou pau a pau até o último minuto, com os veteranos colocando os bofes pela boca acabaram levando um gol no finalzinho do segundo tempo.
Mal tiveram tempo para o improvisado almoço e retornaram para o segundo jogo. Depois da derrota anterior o ânimo dos visitantes melhorou um pouco após uma ida ao bar do campo e o pessoal que vendia a cerveja teve um bom lucro.
Consequência disso: uma derrota vexatória do segundo quadro, os jogadores mal paravam de pé e muito menos pegavam na bola.
Nós mulheres já estávamos cansadas, as crianças irritadas e os poucos homens sóbrios envergonhados e sem opção a não ser esperar o terceiro jogo para irmos embora, já que havíamos percorrido toda a extensão da praça e seus arredores.
Nesse caso o treinador escalou alguns dos meninos mais jovens para repor o time que estava cansado e bêbado.
Como as instalações do campo eram um tanto precárias o diretor de futebol do River estava preocupado com as roupas e objetos no vestiário, mas o jogo estava começando e as famílias gritavam como uma verdadeira torcida deve fazer para incentivar seu time, coisa que não fizeram nos dois primeiros jogos.
O treinador se animou montou um bom esquema tático, o jogo estava bombando e o River Plate, time até temido por alguns adversários, para tristeza da pequena torcida, estava sendo arrasado de novo.
Lá pelo meio do segundo tempo, o treinador andava de um lado para o outro gritando feito louco; mandando o meio de campo cobrir a lateral, gritou com o zagueiro para cobrir a lateral, até seu melhor atacante estava sendo obrigado a cobrir a lateral e de repente percebeu:
-O lateral sumiu!
Ele contou os jogadores em campo e confirmou o seu pressentimento: faltava o lateral direito por isso o time estava tomando tantos gols.
-Mas onde está o Gilson?
Ele começou a perguntar para todos e ninguém sabia, até que uma das crianças informou que o Gilson – o lateral que deveria estar em campo - estava no vestiário.
Foram todos até lá preocupados, será que ele estava passando mal?
Que nada! Encontramos o Gilson sentado tranquilamente vigiando as bolsas.
Diga-se de passagem, que o diretor de futebol do River é o pai do Gilson e vendo o filho ali próximo do campo o incumbiu de vigiar os pertences do time enquanto o técnico acreditava que ele estava em campo.
Foi o maior vexame!
A perspectiva da morte é vista para uns como o fim...
O fim da dor, do sofrimento, o fim de tudo e depois dela não existe mais nada.
Já para outros, a morte não significa nada mais que um novo começo. Depois dela que realmente começa a verdade da vida.
Esse é um assunto complexo que gera até arrepios em certas pessoas, pois o desconhecido causa medo e como ninguém sabe realmente como é depois dela e obviamente ninguém quer ver para crer.
Religiosamente falando cada religião tem uma visão da morte. Segundo algumas delas devemos viver de acordo com suas normas e preceitos para poder se gozar o prazer de um lugar bonito e tranquilo.
E quem assim não agir, não terá direito ao céu e passará a eternidade no inferno.
Portanto para àqueles que querem usufruir do paraíso deve abrir mão de tudo que é mundano como bebidas, baladas, sexo sem compromisso, traições e promiscuidade, já que essas e outras coisas nos levam direto ao fogo dos infernos.
Vez ou outra também se ouve falar do purgatório, que segundo alguns não é um lugar e sim um estado.
Pessoas simpáticas e amáveis que insistem em nos chamar nos portões de nossas casas nas horas mais improprias sempre que atendidos pelos moradores – quase sempre contrariados – afirmam que todo aquele que lê e segue ao pé da letra o que está escrito na bíblia ‘deles’ será escolhido para viver no paraíso especial onde reencontrará seus entes queridos falecidos.
Vivendo assim em perfeita harmonia com animais silvestres e selvagens, onde não haverá raiva, ódio, dor, fome ou angustias, guerras e todo tipo de coisas ruins que estamos acostumados por aqui.
E num futuro próximo esse paraíso será aqui mesmo onde os maus serão aniquilados e bons viverão a eternidade.
Particularmente apoio todo tipo de incentivo à palavra de Deus e sempre os ouço com atenção e reprovo as piadas e falta de educação.
A doutrina espirita nos mostra algo parecido com a diferença que após a morte deste corpo, ou a passagem como eles dizem, nós temos a chance de viver no plano espiritual. A experiência de aprender com os erros cometidos nessa vida e reencarnar um tempo depois em outro corpo e com chance de viver uma nova vida.
Mas e quando é o outro que morre e nós ficamos, qual é a extensão da dor de um pai, de uma mãe que perde um filho ou vice versa?
Como lidar com a dor da perda? Com o sofrimento que parece não ter fim, tipo um dor física e gera tristeza, depressão e a tal da saudade que é uma palavra que só existe no nosso dicionário e nem tem tradução.
Como suportar acordar todo dia e não ver mais a pessoa, não ouvir sua voz, não senti-la?
Daí vai depender da opinião de cada um a respeito dessa terrível e temível morte.
Pessoas juram que já a viram, alguns até mais de uma vez, escaparam de acidentes, ferimentos de armas de fogo, doenças antes fatais e que hoje com o avanço da medicina matam menos.
Alguns juram que ela é muito feia e usa um sobretudo preto e grande com capuz e uma ferramenta –tipo ancinho – nas mãos, anda vagando por aí a procura de uma nova vítima.
Quem morre vai descobrir o segredo, vai desvendar o mistério e quem fica tem que descobrir também um meio de não deixar o sofrimento tomar conta de tudo, é preciso reagir e por mais triste que pareça isso, mas é uma verdade: A vida continua...
Mortes acontecem o tempo todo, de todos os jeitos e ainda não nos acostumamos com ela e às vezes temos até vontade de acompanhá-la, mas falta a coragem na hora ‘H’.
É interessante também observar algumas culturas, como diferentes povos lidam com a ela.
Por exemplo, os índios que enterram todos os pertences junto com o morto para que seu espirito não fique vagando procurando por suas coisas.
Assim também são os hindus, os indianos, africanos cada qual com seus costumes muitas vezes estranhos para nós.
Os americanos, materialistas que são, tentam lidar com a morte estudando-a o que não os livram de terem uma depressão acima da média.
Falando em depressão os japoneses, campeões em estatística de suicídios, também têm sérios problemas com ela.
Enfim, existe um ditado popular, frequentemente dito assim que somos informados de uma morte, principalmente se foi de forma abrupta:
-Para morrer, basta estar vivo!