sexta-feira, 19 de outubro de 2018


Guerreira

Até que ponto uma mãe pode ser responsável pelos atos de um filho?
Essa mãe sempre foi uma heroína. Casou-se cedo, porém já levava na bagagem o filho ‘J’. Fruto de um relacionamento não muito bem explicado.
Mas enfim com o casamento veio a expectativa de um pai para o loirinho inteligente.
O que veio na verdade foram mais dois filhos de um marido relapso e muitas vezes omisso. E trabalhar na área da saúde toma muito tempo e os filhos acabaram ficando em segundo plano.
O divórcio foi inevitável. As brigas e desentendimentos continuaram mesmo depois da separação.
Os meninos nessa altura já se viravam sozinhos e o garoto do meio já se destacava pela esperteza
.
Vários episódios de furtos, arruaças e problemas escolares e a disputa de poder entre os pais não ajudavam em nada.
O trabalho ‘puxado’ com plantões noturnos e o cansaço do dia a dia não permitiam uma visão mais apurada da situação.
Um novo relacionamento trouxe uma mudança de vida e de cidade. O filho do meio continuava sua caminhada rumo ao desconhecido mundo das drogas.
Não era, obviamente, por falta de conselhos, reprimendas ou de amor.
Já o mais velho se mantinha responsável, carinhoso tentando levar consigo os irmãos mais novos.
Mas a fatalidade acontece no melhor momento da vida de ‘J’. Um acidente de carro o prende definitivamente à cama, ficando tetraplégico.
A mãe experiente em enfermagem abandona tudo para cuidar do primogênito e vários meses se passam numa luta constante.
A rotina mudada drasticamente aos poucos vai se assentando na esperança de uma condição digna de vida para o rapaz.
Nesse meio tempo o filho do meio que já está completamente perdido nas trevas das drogas é brutalmente assassinado trazendo manchetes em todos os jornais escritos e falados da época.
A mãe forte que suportou o trágico destino do filho mais velho, se nesse caso desmoronou em algum momento foi às escondidas no seu íntimo, pois na aparência superficial dos olhos alheios cuidou de tudo firme como uma rocha.
Restaram-lhe o amor incondicional do filho acamado e o apoio do filho mais novo. Juntos trataram de levar a vida da melhor forma possível.
A fé constantemente provada sofre novo abalo quando ‘J’ não suportando a ausência do irmão acaba falecendo também.
Dessa vez a mãe simplesmente se entrega a dor e aos acontecimentos. O desânimo só não é maior porque conta com a força e o amor do filho caçula e o companheirismo do marido que não medem esforços para que a vida continue.
E continuar vivendo e bem é algo que eles fazem até hoje. É gratificante ver esse exemplo de mulher guerreira levando a vida mesmo depois de tantos dramas e percalços consciente de que fez tudo o que pôde pelo bem dos filhos.



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