Guerreira
Até que ponto uma mãe
pode ser responsável pelos atos de um filho?
Essa mãe sempre foi
uma heroína. Casou-se cedo, porém já levava na bagagem o filho ‘J’. Fruto de um
relacionamento não muito bem explicado.
Mas enfim com o
casamento veio a expectativa de um pai para o loirinho inteligente.
O que veio na verdade
foram mais dois filhos de um marido relapso e muitas vezes omisso. E trabalhar
na área da saúde toma muito tempo e os filhos acabaram ficando em segundo
plano.
O divórcio foi inevitável.
As brigas e desentendimentos continuaram mesmo depois da separação.
Os meninos nessa altura
já se viravam sozinhos e o garoto do meio já se destacava pela esperteza
.
Vários episódios de
furtos, arruaças e problemas escolares e a disputa de poder entre os pais não
ajudavam em nada.
O trabalho ‘puxado’
com plantões noturnos e o cansaço do dia a dia não permitiam uma visão mais
apurada da situação.
Um novo
relacionamento trouxe uma mudança de vida e de cidade. O filho do meio
continuava sua caminhada rumo ao desconhecido mundo das drogas.
Não era, obviamente,
por falta de conselhos, reprimendas ou de amor.
Já o mais velho se
mantinha responsável, carinhoso tentando levar consigo os irmãos mais novos.
Mas a fatalidade
acontece no melhor momento da vida de ‘J’. Um acidente de carro o prende definitivamente
à cama, ficando tetraplégico.
A mãe experiente em
enfermagem abandona tudo para cuidar do primogênito e vários meses se passam
numa luta constante.
A rotina mudada
drasticamente aos poucos vai se assentando na esperança de uma condição digna
de vida para o rapaz.
Nesse meio tempo o
filho do meio que já está completamente perdido nas trevas das drogas é brutalmente
assassinado trazendo manchetes em todos os jornais escritos e falados da época.
A mãe forte que
suportou o trágico destino do filho mais velho, se nesse caso desmoronou em algum
momento foi às escondidas no seu íntimo, pois na aparência superficial dos
olhos alheios cuidou de tudo firme como uma rocha.
Restaram-lhe o amor
incondicional do filho acamado e o apoio do filho mais novo. Juntos trataram de
levar a vida da melhor forma possível.
A fé constantemente
provada sofre novo abalo quando ‘J’ não suportando a ausência do irmão acaba
falecendo também.
Dessa vez a mãe
simplesmente se entrega a dor e aos acontecimentos. O desânimo só não é maior
porque conta com a força e o amor do filho caçula e o companheirismo do marido
que não medem esforços para que a vida continue.
E continuar vivendo e
bem é algo que eles fazem até hoje. É gratificante ver esse exemplo de mulher
guerreira levando a vida mesmo depois de tantos dramas e percalços consciente
de que fez tudo o que pôde pelo bem dos filhos.

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