Amante ao avesso
Mais uma vez a
insistência feminina em colocar nos ombros de um homem o peso da felicidade
proporciona uma história real, porém fantasiosa de felicidade.
Quando conheci I ela
me pareceu uma mulher alegre e corajosa e me surpreendi ao saber que ela era amante
de um homem casado há mais de dez anos.
Com ele tinha três
filhos, dois viviam em sua companhia e o menino mais velho era criado pela
mulher (oficial) do tal homem.
Diante da imagem que
a sociedade em geral faz do papel de amante logo se imagina uma esposa sofrida
e mal tratada diante de um vilão garanhão dando do bom e do melhor para a
outra.
Daí o motivo da
surpresa. Essa amante em questão não tinha NADA.
Não tinha casa
própria, vivia mudando de barraco em barraco quase sempre em péssimas condições
e arrastando os filhos para situações humilhantes diante da família e vizinhos
com comentários maldosos e preconceituosos diante de sua condição.
Sua situação
financeira era caótica. Em contra partida a esposa do sujeito vivia em uma ótima
casa rodeada de conforto, chamego e apoio familiar.
I não aceitava
argumentos contrários à sua situação. Aceitava sim e muito bem essa estranha e
obsessiva forma de amar.
No entanto, não posso
afirmar que nunca tenha se rebelado e tentado sair dessa vida. Mas um único
comentário do ser amado fez desmoronar toda a nova ânsia de mudança trabalhada
por vários conselhos de amigas indignadas com sua situação.
O homem teve o desplante
de avisá-la:
“Não sou homem de uma
mulher só, se não for você arrumo outra!”
Para I não havia
justificativa para uma vida nova para si e os filhos, uma vez que o amado não
mudaria também os seus hábitos.
E se para a esposa
estava tudo bem, para ela também.
E pelo que eu soube,
assim permanece até hoje nessa condição de ‘pobre amante pobre’.
As pessoas pagam por aquilo que fazem, e ainda mais pelo que permitiram se torna. E pagam por isso de uma maneira muito simples: com a vida que levam.
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