sábado, 21 de janeiro de 2017

Você Teria Essa Coragem?
A ideia de se ter um homem forte do lado ao mesmo tempo protetor e carinhoso faz parte de todo imaginário feminino.
Desilusões, fracassos e perdas são combustíveis para a baixa estima e a depressão e talvez também para atos corajosos.
Conheci certa vez uma jovem sonhadora e corajosa. Sim, corajosa. Pois não conheço adjetivo melhor para qualificar uma mulher que se dispõe a viajar muitos quilômetros ao encontro do homem da sua vida.
Homem este que lhe prometeu mundos e fundos. Mas tudo parecia tão perfeito!
Ela já era mãe de quatro ou cinco filhos (apesar de ser bem nova). Todos frutos de  tristes histórias de amor e abandono. Primeiro o sonho da felicidade eterna, depois a briga pela guarda da criança.
O pai de um era traficante com a vida perigosa, o pai do outro era vagabundo e vivia às suas custas, o outro foi embora do estado levando a filha... Enfim para cada filho um relacionamento e uma desilusão.
Ainda bem que hoje em dia existe a internet e assim a possibilidade de vários contatos. Se cadastrar em sites de relacionamentos virou hobby.
Perfis diferentes para contatos diversos. Impossível não encontrar alguém que preste.
O primeiro era bonito, inteligente e galanteador foi fácil se convencer que agora era pra valer.
Mas não era. Mais um fracasso para a lista. E o pior é que a agressão física não é fácil de esquecer.
O segundo seria diferente! Esse sim. Não era tão bonito, nem tão inteligente, mas convenceu.
Agora que ela tinha mais experiência, estava por dentro do assunto e não daria moleza ao destino.
Para cada pergunta uma resposta perfeita.
Casa própria, um trabalho bem remunerado e a disponibilidade para um relacionamento sério.
Prontificou-se a enviar o dinheiro da passagem, do almoço e do lanche e de tudo o mais, afinal seriam 24 horas de viagem. Mudança total da região Norte do país rumo ao Sudeste...
Sonho realizado! Só que não.
Não chega a ser um pesadelo como da vez anterior, mas um sonho ruim.
As mentiras logo de cara começam a ser desmascaradas e o sonho a se desmoronar.
Nada de casa, nada de trabalho, nada de príncipe encantado.
Mas um barraco alugado, poucos e velhos móveis e uma família cansada das armações do príncipe fajuto (ou seria um sapo).
A moça é obrigada a aquentar pelo menos uns três meses até conseguir recursos de um trabalho temporário num boteco no centro da capital.
Trabalho duro. Levantar às cinco da manhã, encarar ônibus lotado na ida e na volta. Não há amor que resista a tamanha desilusão.
Logo novos conhecimentos levam a destruição do relacionamento. Ninguém é obrigado a suportar tantas mentiras, tanta carência... Dos dois lados.
Na primeira oportunidade voltou para casa. Pelo menos levou mais uma experiência na bagagem. Talvez continue sonhando. Só espero que sonhos mais concretos.
Experiências como essa pode desestimular a coragem, mas talvez não a impeça de sonhar...





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