Você Teria Essa Coragem?
A ideia de se ter um homem forte do lado
ao mesmo tempo protetor e carinhoso faz parte de todo imaginário feminino.
Desilusões, fracassos e perdas são combustíveis
para a baixa estima e a depressão e talvez também para atos corajosos.
Conheci certa vez uma jovem sonhadora e
corajosa. Sim, corajosa. Pois não conheço adjetivo melhor para qualificar uma
mulher que se dispõe a viajar muitos quilômetros ao encontro do homem da sua
vida.
Homem este que lhe prometeu mundos e
fundos. Mas tudo parecia tão perfeito!
Ela já era mãe de quatro ou cinco filhos
(apesar de ser bem nova). Todos frutos de tristes histórias de amor e abandono. Primeiro
o sonho da felicidade eterna, depois a briga pela guarda da criança.
O pai de um era traficante com a vida
perigosa, o pai do outro era vagabundo e vivia às suas custas, o outro foi
embora do estado levando a filha... Enfim para cada filho um relacionamento e uma
desilusão.
Ainda bem que hoje em dia existe a
internet e assim a possibilidade de vários contatos. Se cadastrar em sites de
relacionamentos virou hobby.
O primeiro era bonito, inteligente e
galanteador foi fácil se convencer que agora era pra valer.
Mas não era. Mais um fracasso para a
lista. E o pior é que a agressão física não é fácil de esquecer.
O segundo seria diferente! Esse sim. Não
era tão bonito, nem tão inteligente, mas convenceu.
Agora que ela tinha mais experiência,
estava por dentro do assunto e não daria moleza ao destino.
Para cada pergunta uma resposta perfeita.
Casa própria, um trabalho bem remunerado e
a disponibilidade para um relacionamento sério.
Prontificou-se a enviar o dinheiro da
passagem, do almoço e do lanche e de tudo o mais, afinal seriam 24 horas de
viagem. Mudança total da região Norte do país rumo ao Sudeste...
Sonho realizado! Só que não.
Não chega a ser um pesadelo como da vez
anterior, mas um sonho ruim.
As mentiras logo de cara começam a ser
desmascaradas e o sonho a se desmoronar.
Nada de casa, nada de trabalho, nada de
príncipe encantado.
Mas um barraco alugado, poucos e velhos
móveis e uma família cansada das armações do príncipe fajuto (ou seria um
sapo).
A moça é obrigada a aquentar pelo menos
uns três meses até conseguir recursos de um trabalho temporário num boteco no
centro da capital.
Trabalho duro. Levantar às cinco da manhã,
encarar ônibus lotado na ida e na volta. Não há amor que resista a tamanha
desilusão.
Logo novos conhecimentos levam a
destruição do relacionamento. Ninguém é obrigado a suportar tantas mentiras,
tanta carência... Dos dois lados.
Na primeira oportunidade voltou para casa.
Pelo menos levou mais uma experiência na bagagem. Talvez continue sonhando. Só
espero que sonhos mais concretos.
Experiências como essa pode desestimular a
coragem, mas talvez não a impeça de sonhar...

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