quinta-feira, 26 de maio de 2016

Fátima

Fátima não conheceu o pai, tem uma mãe ausente que não demonstra carinho por ela, mas Deus é tão bom que lhe deu um avô que cuidou dela com tanto amor, que nunca sentiu falta do pai ou da mãe.
Ao morrer o avô deixou um pedido muito especial, que cuidassem dela com carinho.
Esse pedido lhe rendeu uma casa, um lugar para morar.
E hoje ela mora no lote das tias. Tem uma casa pequena de dois cômodos com planos de aumentar.
Fátima é do tipo de pessoa que não esquenta muito a cuca.
Teve um casamento bacana.
 Não! Bacana é pouco! O marido a amava incondicionalmente.
Desde os primeiros anos de casamento quando morou um tempo em São Paulo até o dia da morte do amado, Fátima foi muito feliz.
Costuma dizer que teve dois grandes amores na vida e por eles foi muito amada: o avô e o marido.
Eram conhecidos no bairro como casal 20 (alusão à série americana famosa nos 80) sempre junto nos bons e nos maus momentos e tiveram duas filhas fruto desse amor inesquecível, das quais a mais nova já lhe deu um neto que é motivo de orgulho para Fátima.
Fumante constante ela já escapou de um enfarto, o marido nessa época a apoiou muito, e ela jurou deixar o maldito fumo, mas o tempo passou, o marido faleceu e o cigarro continua agora como seu único companheiro.
Fatinha já conta 50 e poucos anos e descobriu uma nova alegria: o forró!
Vai sempre se divertir com as amigas nas noites do Pacine ou nas tardes de domingo na Hilda. Encontra pessoas da sua idade com o mesmo entusiasmo pela vida, que causa até inveja em pessoas mais jovens.
Outra de suas novas paixões é a política.
Candidatou-se nas últimas eleições para vereadora teve até alguns votos e chegou a se decepcionar um pouco, mas por pouco tempo.
Logo estava de volta a seus contatos e precisando fazer uma boa base política talvez procurar uma ONG ou uma associação  visando o futuro para os próximos quatro anos.
 Mas o que ela gosta mesmo é de trabalhar. Trabalha na escola de segunda à sábado e no domingo na padaria da esquina.
Ambos os trabalhos são na rua onde mora. Acha injusto que a chamem de molenga, pois as más línguas dizem que ela ‘morcega’ muito e trabalha pouco.
Imagina, só porque recebe alguns telefonemas?
Pessoal precisa entender que são apenas os seus contatos!
Afinal forró, política e admiradores, são muitas coisas para administrar!
O sonho dela é se tornar personagem de um livro, quando foi informada que só pessoas célebres e famosas têm biografias escritas e disputadas entre os leitores se contentou em ter sua história retratada em uma crônica mesmo.
E por favor, caso se encontre com ela na padaria ou no portão da escola ‘morcegando’ com um cigarro na mão não deixe de cumprimentá-la pela realização desse sonho.
Já se passou algum tempo desde que a vi e soube que agora está na cantina da escola e espero sinceramente que a merenda esteja saindo na hora certa para o bem dos alunos.
















Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe sua opinião aqui