Fátima
Fátima
não conheceu o pai, tem uma mãe ausente que não demonstra carinho por ela, mas
Deus é tão bom que lhe deu um avô que cuidou dela com tanto amor, que nunca
sentiu falta do pai ou da mãe.
Ao
morrer o avô deixou um pedido muito especial, que cuidassem dela com carinho.
Esse
pedido lhe rendeu uma casa, um lugar para morar.
E hoje
ela mora no lote das tias. Tem uma casa pequena de dois cômodos com planos de
aumentar.
Fátima
é do tipo de pessoa que não esquenta muito a cuca.
Teve
um casamento bacana.
Não! Bacana é pouco! O marido a amava incondicionalmente.
Desde
os primeiros anos de casamento quando morou um tempo em São Paulo até o dia da morte
do amado, Fátima foi muito feliz.
Costuma
dizer que teve dois grandes amores na vida e por eles foi muito amada: o avô e
o marido.
Eram
conhecidos no bairro como casal 20 (alusão à série americana famosa nos 80)
sempre junto nos bons e nos maus momentos e tiveram duas filhas fruto desse
amor inesquecível, das quais a mais nova já lhe deu um neto que é motivo de orgulho
para Fátima.
Fumante
constante ela já escapou de um enfarto, o marido nessa época a apoiou muito, e
ela jurou deixar o maldito fumo, mas o tempo passou, o marido faleceu e o
cigarro continua agora como seu único companheiro.
Fatinha
já conta 50 e poucos anos e descobriu uma nova alegria: o forró!
Vai
sempre se divertir com as amigas nas noites do Pacine ou nas tardes de domingo
na Hilda. Encontra pessoas da sua idade com o mesmo entusiasmo pela vida, que
causa até inveja em pessoas mais jovens.
Outra de
suas novas paixões é a política.
Candidatou-se
nas últimas eleições para vereadora teve até alguns votos e chegou a se decepcionar
um pouco, mas por pouco tempo.
Logo
estava de volta a seus contatos e precisando fazer uma boa base política talvez
procurar uma ONG ou uma associação
visando o futuro para os próximos quatro anos.
Mas o que ela gosta mesmo é de trabalhar. Trabalha
na escola de segunda à sábado e no domingo na padaria da esquina.
Ambos
os trabalhos são na rua onde mora. Acha injusto que a chamem de molenga, pois
as más línguas dizem que ela ‘morcega’ muito e trabalha pouco.
Imagina,
só porque recebe alguns telefonemas?
Pessoal
precisa entender que são apenas os seus contatos!
Afinal
forró, política e admiradores, são muitas coisas para administrar!
O
sonho dela é se tornar personagem de um livro, quando foi informada que só
pessoas célebres e famosas têm biografias escritas e disputadas entre os
leitores se contentou em ter sua história retratada em uma crônica mesmo.
E por
favor, caso se encontre com ela na padaria ou no portão da escola ‘morcegando’
com um cigarro na mão não deixe de cumprimentá-la pela realização desse sonho.
Já se
passou algum tempo desde que a vi e soube que agora está na cantina da escola e
espero sinceramente que a merenda esteja saindo na hora certa para o bem dos
alunos.
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